Os possíveis crimes fazem parte de um conjunto de irregularidades já investigadas pelo Grupo Especial de Trabalho de Proteção à Ordem Tributária (Getpot) e pelo Grupo Especial de Trabalho Investigativo (Geti). Trata-se do desvio de recursos provenientes do dízimo doado por fiéis.
As denúncias de compra de dólares aparecem até mesmo na investigação feita pela própria Maranata no final do ano passado. O argumento dos pastores, segundo os depoimentos, era de que o dinheiro serviria para ajudar os “irmãos no exterior”. Os valores eram levados para o exterior na mala dos fiéis.
Já os equipamentos de videoconferência teriam sido comprados nos Estados Unidos e no Paraguai e ttrazidos para o Espírito Santo de forma irregular, na mala dos fiéis.
O processo, inclusive, já é alvo de um inquérito na Polícia Federal, a pedido da Procuradoria da República. O caso foi reaberto após A GAZETA publicar que a pessoa que intermediava a compra dos equipamentos de videoconferência foi presa em janeiro de 2010 pela Polícia Federal.
O autônomo Julio Cesar Viana foi flagrado transportando rádios e projetores estrangeiros sem nota fiscal, dentro da mala. Ele chegou a ser denunciado, mas apenas pelo transporte dos equipamentos. O nome de Viana aparece na descrição de vários documentos de caixa da Maranata. O dinheiro era destinado à compra de equipamentos ou de passagens aéreas.
Diante destes novos fatos, o MPF decidiu reabrir o caso, já que há indícios de que o material seria destinado à Maranata. A GAZETA tentou falar com Viana e seu advogado, Antonio Marcos de Aguiar, em Curitiba, Paraná, mas não obteve retorno das ligações.
Igreja diz que está tranquila e que pediu a apuração dos fatos
Igreja diz que está tranquila e que pediu a apuração dos fatos
O Conselho Presbiterial da Igreja Cristã Maranata – eleito no fim do ano passado – diz que está tranquilo em relação as investigações do
Ministério Público Federal. Por intermédio de nota afirmou que se antecipou e já procurou tanto a Receita Federal quanto a Receita Estadual solicitando que apurassem as possíveis irregularidades na compra dos equipamentos de videoconferência. O sistema interliga os templos no Brasil e no exterior.
Quanto às denúncias de envio de dólares para o exterior na mala de fiéis, assinalam que desconhecem o assunto. “Não há registro oficial na Igreja Cristã Maranata de envio de recursos financeiros para o exterior”, diz o texto da nota enviada pela igreja.
No mesmo documento fez ainda questão de pontuar que partiu da igreja a iniciativa de apurar as denúncias, levando os fatos até mesmo ao Ministério Público Estadual e que agora aguarda o resultado das investigações com a punição dos culpados. “A Igreja não se furtará a adotar novas medidas para obter ressarcimento do que lhe foi subtraído e para punir os responsáveis”, acrescenta o texto.
Fraude milionária
Um esquema de corrupção foi montado na cúpula da Maranata com a participação de pastores, diáconos e fornecedores para desviar recursos do dízimo doado pelos fiéis
Rombo: Estimativas iniciais apontam para um rombo de pelo menos R$ 21 milhões. A Maranata pede na Justiça o ressarcimento de R$ 2,1 milhões
Inquérito: Na última semana o Ministério Público Estadual abriu um inquérito criminal para investigar o caso
Igreja: Na Justiça ela aponta como cabeças da fraude o seu vice-presidente, Antônio Ângelo Pereira dos Santos, e o contador Leonardo Meirelles de Alvarenga
Investigados: Os promotores investigam toda a cúpula da igreja, incluindo seu vice-presidente, Gedelti Gueiros
Investigados: Os promotores investigam toda a cúpula da igreja, incluindo seu vice-presidente, Gedelti Gueiros
Golpe: O golpe era viabilizado por notas fiscais fornecidas por empresas que prestavam serviços para a igreja. Havia ainda a criação de empresas falsas, a utilização de laranjas para adquirir bens ou constituir as sociedades comerciais
Uso:Com os recursos desviados compravam carros, imóveis, pagavam contas pessoais, e até dólares, que eram enviados para o exterior na mala dos fiéis.
Veja matéria publicada em 05/02 sobre a Maranata - Clique aqui
Assista matéria feita pelo G1/ES – TV Gazeta – pelo repórter Álvaro Zanoti/Vitória/ES e comente…
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